Jornalista Guilherme Kalel

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Genisys


Foto / G7 Press - Cientista chinês Norton Sheng, citado em livro Genisys
Por Jornalista Guilherme Kalel
Publicação Editora Royal Express

O livro Genisys é escrito pelo deficiente visual e Jornalista Guilherme Kalel.
E começa a ser comercializado a partir de novembro de 2019.
Para mostrar ao Leitor um pouco do que esperar em relação ao texto, capítulos de pré-estreia serão divulgados publicamente
Vale salientar, que esses capítulos serão divulgados aqui, e não farão parte do livro como um todo, logo sendo cenas que antecedem a historia principal.
Para maiores informações sobre o livro, leia sua Sinopse

Leia a seguir:

Muito provavelmente você já escutou a expressão.
Ele morreu de câncer.
Ou a expressão.
Seu parente tal, tem câncer.

São expressões usadas no meio de jargões médicos e uma série de terminologias, que caem como uma bomba estilo nuclear.
Não só para o paciente da doença, mas também e principalmente para o seu familiar.

Para aqueles poucos e raros que nunca precisaram passar por isso, meus parabéns.
Escaparam até aqui de uma das piores dores do mundo.
A dor que dilacera a alma, a de ver um ente querido morrer, a pessoa que mais ama nesse mundo, sem poder fazer nada.
Não importa o quanto conhecimento você tenha, não importa o quanto ache que saiba, não importa as vezes nem que reze para Deus.
Porque nem sempre Deus vai poder te atender e fazer o milagre da cura chegar até você.

Eu não estou dizendo que ele não exista, nem que não devam acreditar nele.
É claro que existe uma força maior que todos nós, mas a ciência, essa tem uma explicação a todos os fenômenos.
Eu cresci com isso na cabeça, eu aprendi isso na faculdade, e levei isso para a minha vida inteira.
Trabalhei por 20 anos em um laboratório farmacêutico, desenvolvendo curas e vacinas para dezenas de vírus, bactérias e doenças.
Me orgulhava do meu trabalho e quase que me considerava um Deus.
Eu determinava os fatores genéticos que combinados, poderiam fazer com que uma pessoa pudesse ter mais tempo de vida ou até se curar de uma grave doença.
Só duas coisas eu não podia fazer, e por isso eu não ousava me colocar no Status de um semideus.
Eu não podia criar uma vida, e eu não podia curar ninguém do câncer.

A pior dor do mundo, foi quando recebi uma ligação tarde da noite em uma conferência em Londres.
Lançávamos um novo medicamento e então recebi a notícia.
A minha filha estava internada.
Na manhã seguinte peguei o primeiro avião e voltei para Xangai, mas quando cheguei a notícia não era a melhor possível.
Ela estava com câncer e tinha poucos meses de vida.
A doença era muito avançada e tinha tomado boa parte de seu corpo.
Os tratamentos eram paliativos, porque ela ia morrer, não havia o que pudesse fazer.

Era uma dor tremenda, porque 1 ano antes, exatos 1 ano antes, a minha mulher teve um câncer.
Começou com uma simples dor na barriga, evoluiu para um câncer de ovário.
Pensamos que quando retirasse o ovário isso acabaria, mas quando a abriram, perceberam que a doença tinha se espalhado de um jeito, que não tinha mais o que fazer.
Em 5 semanas a minha esposa definhou, morreu, se acabou, e eu não pude fazer nada.
Passei os últimos 12 meses explicando para a minha filha, todos os dias e de maneiras incansáveis, que a mamãe morreu.
Minha filha de apenas 10 anos que tinha que lhe dar com a dor da perca da mãe, por causa de um maldito câncer que nem eu nem um outro semideus da ciência pudemos prever ou curar.
E o pior, é que agora, 12 meses depois, eu tinha que explicar a minha Pequena que era ela a vítima.
Que ela ia morrer, assim como a mãe dela, por que o pai não ia conseguir salva-la.

É, essa dor é incomparável, é irrefutável, ela é inimaginável.
Os 2 meses que passaram depois disso, e cada dia que eu assistia a minha filha perdendo a batalha para o maldito câncer, eu morria um pouco mais por dentro, e ao mesmo tempo algo dentro de mim conversava comigo mesmo.
Eu não podia fazer nada por ela, mas podia fazer pelos outros.
Foi então que eu chamei meus auxiliares mais fiéis, e nós pegamos uma série de DNAs do nosso laboratório medicinal.
Transferimos para um depósito num prédio com subsolo, eu vendi a minha casa e passei a morar naquele prédio.
Dormia e acordava ali, eu me preparava porque não ia permitir com que mais nem um pai sentisse aquela dor que eu senti.
Nem um marido mais ia chorar a dor de perder a sua esposa, ou explicaria a sua filha de 10 anos, por que a mamãe teve de morrer.

Foram meses de experiências, que se transformaram em anos.
Anos que valeram a pena.
Alguns julgavam que eu estivesse louco e da minha equipe principal, de 12 pessoas contratadas, só 2 chegaram comigo até no fim.
Eramos 3, que acreditávamos no trabalho e no que estávamos fazendo.
Que estudávamos dia e noite, e entendíamos o DNA, as células que se multiplicavam e modificavam quando se desenvolvia um câncer, não importa a parte que ele fosse.
E passamos a estudar as pessoas doentes, seus hábitos de vida antes e depois da doença.
A ação das terapias, 5 anos passaram.
No aniversário de morte de 5 anos da minha filha, finalmente eu tinha uma coisa para dizer, acabou. o projeto Genisys estava pronto e começaria a operar naquele dia, naquela manhã.
Abrimos a nossa câmara fria, e retiramos corpos que foram gerados ali.
Corpos que foram treinados para que pudessem passar pelas fases de bebê, adulto e criança, e que crescessem rápida ou lentamente.

No começo, eram 20 fertilizações em vitro que foram realizadas, pessoas criadas em laboratório.
Dessas 20 pessoas, 3 eram bebês que não mexeríamos na estrutura celular e que iam ficar ali, para que pudéssemos estuda-las ao longo da vida e de seu desenvolvimento.
3, nós aplicamos recursos que permitiram com que crescessem e se desenvolvessem muito rapidamente.
Todas elas, tiveram mudanças genéticas em seu DNA.
Além de se regenerar rapidamente, permitiam que outras pessoas também se regenerassem se entrassem em contato com algum componente de seu DNA.

Era o transplante de medula para a Leucemia se curar.
Era o sangue que poderia regenerar doenças autoimunes.
Era o sonho de uma vida, nascendo, evoluindo, crescendo ali dentro.
Diante aos olhos de um governo autoritário e com mania de perseguição, sem que os Comunistas percebessem o que estávamos fazendo a própria vista.

O problema é que a sede das pessoas de ambição, as vezes fala mais alto.
Como eu disse, eram 12 pesquisadores e 9 saíram.
3 apenas ficaram.
Desses 3, um começou a cobiçar todo aquele poder para si mesmo.
Depois de fazermos tudo o que fizemos, ele queria vender para quem pagasse mais, e produzir cada vez mais e em alto valor os nossos Gem, Genéticos e Modificados, mas que os seres humanos tradicionais mais tarde chamariam de Mutantes.
Por que tinham mutações em suas células, que os deixavam resistente a ferimentos e doenças, rápidos, imunes.
Imunes a dor, a pragas, a vírus, a explosões, a balas, já imaginou?
O soldado perfeito para lutar nas guerras, pensava ele.
E por isso tratou logo de oferecer as pessoas erradas a nossa cura milagrosa.
O que eu queria que fosse uma batalha para destruir o Câncer, se transformaria numa imensa disputa por poder.

Cone matou meu outro colega pesquisador, por ele não pensar como ele e não querer repassar nossa tecnologia.
Cone contou ao governo chinês o que estávamos fazendo e era primordial que nos protegêssemos.
Cone conseguiu sequestrar alguns dos nossos Gem, e conseguiu também fazer muitas outras coisas com eles, mexer na essência de seu DNA.
E prometeu fazer um exército, para invadir o laboratório, ele ia me matar, ele ia mudar o mundo e domina-lo.
E ele chegou a tentar fazer isso.
Num dia muito chuvoso, atípico na China, quando um furacão passava pela Ásia e assustava as pessoas, ele chegou.
Era o dia de invadir nossa sede, com uma equipe avançada da CIA, a agencia de inteligência norte-americana.
Que nos acusava de estar construindo armas biológicas.
Cone os convenceu que eu era o malvado, e que fazia os Gem, para que atacassem o mundo no futuro.
Não havia como eu me defender, Cone tinha uns 8 mutantes bem preparados e dotados de ódio por quem os criou.
E tinha os agentes da CIA com o armamento mais pesado do mundo.
Eles invadiram o meu laboratório e prometeram acabar com tudo.
E eu, nunca senti tanto medo e ao mesmo tempo pesar, na minha vida.
O meu sonho acabou, o Genisys chegava ao fim.

Talvez você não saiba, mas Genisys deriva do nascimento, ou do renascimento.
O nome para o projeto era proposital, era o nascimento de uma nova era para a humanidade.
Foi aí que eu percebi de fato o que eu fiz.
Diante aos meus medos e as minhas incertezas, os meus anseios por criar vidas e depois me achar mais que um semideus.
Eu podia e nada me acontecia, mas naquela noite tudo podia mudar, para sempre.

Quando Cone e seu exército chegou e invadiu meu laboratório, conversei com meus Gem na câmara.
Alguns dormiam congelados, outros dormiam normalmente e nem pensei que pudessem me ouvir de verdade.
Porém pedi desculpas, os trouxe ao mundo para serem experiência, cobaia nas mãos dos humanos.
Para todos não passariam disso, mas para mim, eram a esperança de continuidade da minha família.
Um bebê em especial me chamava muito a atenção.
Piter era o nome que eu dei a ele, e ali tinha 5 anos.
Foi nele que eu usei, partes do DNA de minha mulher e de minha filha, para que eu pudesse chamar de meu.
Ali, todos eram meus, mas nem um era tão meu filho quanto Piter Sheng, a quem registrei até com o meu sobrenome e tentei dar uma vida normal.
Ele estava fora da câmara, mas podia me ouvir.
E abriu os olhos, e gritou com todos.
Me lembro claramente dele dizendo, "Vamos, levantem-se, defendam a nossa casa".
Piter então fez outra criança surgir.
Mya, uma das primeiras criadas naquele projeto, também de 5 anos.
E com eles, vieram outros maiores, que cresceram graças as técnicas de tecnologia aplicadas.
Formando um cordão de proteção, eles se puseram na frente do exército de agentes e dos 8 mutantes crescidos de Cone.
"Essa casa é minha casa, e aqui não passarão", lhes disse Piter, assumindo a liderança.
Exatamente como eu faria, se eu tivesse metade de sua força e poder, e um pouco mais de sua idade.

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